Lua-de-mel sem dívidas
Transformar a lista de presentes em quotas para a viagem de núpcias é um dos macetes para aliviar o bolso na hora de fazer as reservas
Por Maristela do Valle
Como é caro casar! E ainda por cima reservar uma bela quantia para garantir uma lua-de-mel dos sonhos após a cerimônia. É possível conciliar vestido, bufê, igreja, lembrancinhas e a viagem sem começar a vida a dois endividado? Claro que sim, tudo depende basicamente de planejamento. E de estabelecer algumas prioridades, que devem ser definidas por ambos os cônjuges – e não apenas por um deles. Para facilitar as coisas, marquem num papel todos os futuros gastos, claro, sem esquecer a lua-de-mel. Caso não sejam milionários, definam se preferem uma cerimônia luxuosa, na igreja da moda e com coral ao vivo, ou se para ambos vale mais a pena investir numa viagem sensacional para o exterior, com hospedagem em hotel cinco estrelas. Quem sabe vale mais a pena casar no interior, onde todos os serviços são mais em conta, para economizar dinheiro para a lua-de-mel. Depois estabeleçam o orçamento da viagem e seja totalmente fiel a ele. Para tornar realidade o sonho da viagem maravilhosa, faça alguns malabarismos e se ajuste às possibilidades do seu bolso e do seu cart”ao de crédito. Por exemplo, reserve metade da estada numa pousada barata e o restante do tempo num hotel de luxo, em vez em vez de ficar a viagem inteira na última opção, sem ter condições reais para isso. O amor não ficará abalado pela falta de luxo e talvez um meio de hospedagem simples talvez seja até mais aconchegante para o casal enamorado. Substitua algumas das refeições em restaurantes caros por econômicos e românticos piqueniques na praia ou num parque. Enfim, seja criativo e não se endivide tanto a ponto de sacrificar seu cotidiano ao chegar ao novo lar. Isso pode abreviar o clima de lua-de-mel, pois a dificuldades financeiras são muitas vezes os principais vilões da harmonia doméstica.
Uma boa contribuição financeira para a viagem pode partir dos próprios convidados – e de modo bem elegante. No lugar de tradicionais baixelas de prata e faqueiros enormes, os amigos e parentes lhe dão cotas para gastar na lua-de-mel. Hoje muitas agências de turismo já têm uma certa experiência em organizar essa lista de presentes. Elas possuem pequenos certificados para passar para os noivos com os nomes dos contribuintes. O esquema é tão simples que pode também ser adaptado pela agência de viagem de sua confiança, caso ela não o tenha formatado. Mas combine tudo direitinho com a empresa antes de adota-lo. Por exemplo, veja se ela vai cobrar taxa de administração para cuidar do dinheiro –algumas cobram, outras, não. Também reflita bem se realmente prefere priorizar a viagem em detrimento dos utensílios para a casa. A pendenga é mais fácil de resolver para quem já tem um lar montado, seja porque já mora junto com o companheiro antes das núpcias, seja porque um dos dois está fora da casa dos pais há muito tempo. Mas mesmo quem ainda está começando a vida a dois pode preferir ter uma viagem maravilhosa, memorável e deixar para adquirir eletrodomésticos e outros itens aos poucos. Também dá para fazer lista de presentes em mais de um lugar: numa loja convencional e numa agência de turismo. Mas, neste caso, os seus interesses acabam se diluindo, e o volume de dinheiro arrecadado para a viagem é menor. Além disso, sem um foco super definido do que realmente o casal prefere, os convidados tendem a ignorar as quotas da viagem, por acharem chato saber o valor desembolsado (informação que não precisa ser revelada aos nubentes se os convidados preferirem) ou por considerarem que os bens materiais estarão sempre à vista dos pombinhos. Mas lembre-se que uma lua-de-mel fantástica não se quebra e não se gasta, além de ficar para sempre na memória de quem dela usufruiu. E o casal fica conhecendo, sim, a lista dos convidados que ajudaram a pagá-la.
Independentemente da origem do dinheiro da viagem, os recém-casados normalmente têm direito a brindes especiais em diversos meios de hospedagem, como champanhe e café da manhã no quarto, massagens especiais, pétalas de rosas na banheira, chocolates, jantar à luz de velas etc. etc. etc. O mimo varia de acordo com o estabelecimento. Caso não lhe agrade o presente do hotel escolhido, tente negociar com o seu gerente ou com a agência de viagem a troca por outro que o interessar. Tais ofertas podem render memoráveis momentos românticos, assim como outros truques. Por exemplo, aproveite as bebidas e as comidinhas que sobraram da festa de casamento para usufruir delas nos momentos a sós com o(a) amado(a). Mas combine antes isso com o bufê, porque muitos deles costumam levar rapidamente as sobras embora antes mesmo que o último convidado vá embora. Ou já os deixe reservado antes de a festa começar para garanti-los. Na maioria das vezes os noivos não comem nem bebem durante a festa, pois estão ocupados em receber bem os convidados, dançar e tirar fotos. Então usufruir dos comes e bebes após o “enfim sós” mata a fome e ao mesmo tempo dá um tempero na “noite de núpcias”.
Outra forma de apimentar os momentos a dois fora de casa é fazer uma surpresa para o amado, por exemplo, levar um CD que tenha marcado o namoro de ambos, um vinho um pouco mais caro, uma lingerie mais ousada. Não se intimide nem se atenha a falsos moralismos ao apelar para a criatividade. Trata-se da sua lua-de-mel, um momento criado especialmente para amar e ser amado. E que por isso mesmo deve ter um roteiro tranqüilo, sem correria nem tensões. Conhecer 15 países em uma semana, guiar 800 km num só dia ou passar toda a viagem batendo perna de um lado podem deixá-los tão exaustos que vocês só vão querer saber de dormir ao chegarem ao hotel. E não é bem isso que se espera de uma lua-de-mel, certo?
Maristela do Valle é autora do livro “Lua de Mel – Como Planejar sua viagem” (editora Panda Books, 176 págs., R$ 25,90). E-mail: marisvalle@uol.com.br.
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